O que me levou a arte de mixagem de músicas? O fato de eu ser apaixonado por Madonna já responderia essa pergunta, mas a resposta é muito mais complexa.Claro que o clichê "eu sempre gostei de música" não pode faltar, mas tem outros fatores. Há alguns anos em um ato insano apostei com amigos que era capaz de colocar uma galera pra dançar, muito mais do que um certo DJ que tocava na noite em uma festa de Diamantina, interior de Minas Gerais. Era uma festa com uma galerinha legal, mas sem animação pelo responsável do som naquela noite.
Depois de algumas doses de vodka a indignação era tamanha que aceitei o desafio de uns amigos de tocar em uma festa, sem mesmo nunca ter feito isso. O mal estava feito e ali nascia o DJ CORAGEM, o nome se dá pelo predicativo que eu tinha de ter para aquela empreitada e pelo fato de eu ser fã desse adorável cão covarde.
Nos reunimos e começamos a elaborar como seria a festa. Qual a estratégia de marketing que traçaríamos (e até aí era meu território) até como seria os preparativos de escolha do local, som e iluminação. Batizamos a festa de Elecktrus. Despretenciosamente criamos um neologismo para indicar energia e alegria. Confeccionamos cartazes, hotsite, chamada na Jovem Pan local e até um cd promocional com algumas músicas que compunham o setlist da festa foi criado.
Durante dois meses eu tentava me preocupar mais com a campanha do que com o que realmente aconteceria no dia.
Vendemos 350 ingressos. Casa cheia! Eu, um pc e um Atomix para fazer as mixagens, contra três centenas de pessoas ávidas por um som até então desconhecido, de um DJ vindo de São Paulo, que mal sabiam elas, debutante aquela noite.
Era um sábado, 13 de maio de 2006, por coincidência nasci em um dia 13. Também aquele era um dia de liberdade para mim. A noite eu me preparava no hotel. Nervoso, mesmo tendo ensaiado no local horas antes para testar tudo. Passei meu melhor perfume, vesti uma camiseta estampada CORAGEM e um boné DJ compunham o figurino.

As 23 horas chego no Apocalipse Bar, centro de Diamantina, cheio de gente. Nesse momento a adrenalina é tamanha que nem me dou conta do nervosismo e vou ao encontro do meu destino naquela noite.
O som começa, a portaria é liberada, as pessoas entram. A pista timidamente vai sendo preenchida até que percebo que está repleta e vejo que hora de oficializar a noite. Pego o microfone e faço minha primeira interação da noite. A galerinha é recíproca e agita. Começamos a tocar de verdade.
Vejo o pessoal pulando, dançando, se jogando na pista. Me sinto aliviado pois naquele momento eu tinha cumprido o meu proposito de entreter aquele pessoal. Minha crítica com o outro DJ já não soava mais como "dor de cotuvelo" parecia justa e real ao me deparar com a energia radiante de todos.
Durante a noite, foram muitas fotos, beijos, cumprimentos, inserções ao microfone e até autógrafo! Uma galerinha me disse: "Cara somos de BH e lá nunca fui numa festa tão animada!". Por mais falso que isso soe pra alguém, verdadeiramente eu me sentia pago naquele momento. De fato eu não estava ali para tocar o meu som, ouvir o que eu ouço solitariamente em meu quarto.
Eu estava ali para entreter aquelas pessoas, para provocá-las, vê-las cansadas de tanto pularem e dançarem. Oficialmente era para a festa terminar às 4h da madrugada, mas adiamos um pouco o final e fomos até às sete da manhã. Isso não porque a pista estivesse vazia, mas sim porque o dono já me ameaçara de nunca mais tocar lá, pois era a quinta vez que ele pedia pra terminar a noite (risos).
Missão cumprida. Uma das melhores noites da minha vida. Ali eu vi o quanto era prazeroso entreter as pessoas, mas também percebi o quanto grande foi minha loucura em encarar uma galera tamanha sem nunca ter tocado antes.
Bem agora a missão é outra.
Fazer o curso de DJ, comprar meu equipamento e eventualmente tocar em uma festa e poder sentir novamente essa sensação que entorpeçe a mente.
A cada novo episódio dessa série eu compartilhare
i com todos!Um gde abç!

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